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2017-08-22

O orvalho de tua voz - Kori Bolivia

Se for noite
e os ventos calados
permanecerem à borda do mundo,
tecerei castelos de sonhos
no pêndulo do tempo.

Se for noite
e as mãos na pálpebra fechada
buscarem castelos e rodopios de sol,
colherei a madrugada
bebendo o orvalho de tua voz.


Kori Bolivia de nome completo Kori Yaane Bolivia Carrasco Dorado nasceu em La Paz (Bolívia) em 22 de agosto de 1949

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2017-08-21

Gaivota - Alexandre O'Neill (na voz de Amália Rodrigues)


Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse.
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro
Dos sete mares andarilho
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se um olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro
Esse olhar que era só teu
Amor que foste o primeiro
Que perfeito coração
Morreria no meu peito
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.

Extraído de O FADO DA TUA VOZ, AMÁLIA E OS POETAS, Vítor Pavão dos Santos, Bertrand Editora 2014


Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill (n. em Lisboa a 19 de dezembro de 1924; m. em 21 de agosto de 1986)

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2017-08-18

ASAS BROTAM DE MEUS DEDOS - Osmar Pisani

Aqui, asas brotam de meus dedos
e se elevam como um sopro
na branca paisagem de teus sonhos.

Vês as figuras transformadas em papel?

Outros seres passam em procissão
e a ideia é um lago somente,
súbita estrela se apoia em tua mão.

Tua sombra se ajusta à órbita da noite
e cobre o abismo dos homens sem memória.

Osmar Pisani nasceu em Gaspar, Santa Catarina, em 18 de agosto de 1936; faleceu em 7 de março de 2007.

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2017-08-17

...E nos 30 anos do falecimento de Carlos Drummond de Andrade: Canção Final



Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, Brasil, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)

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Quanto, quanto me queres? - perguntaste - António Botto (na efeméride dos 120 anos do nascimento)

Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.

Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida...

Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...

Não perguntes, não sei - não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.


in Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

António Tomaz Botto nasceu a 17 de agosto de 1897, em Casal da Concavada, Abrantes e faleceu no Rio de Janeiro a 17 de março de 1959.

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