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2018-05-25

Lá - Maria Virgínia Monteiro

Como o vento
à noite,
no telhado
esse lamento do mal que não tem cura;

"... nada
do que foi teu será
nada te pertence já...
nenhuma coisa passada te é futura..."

Escutas:

Pássaros da noite em soltas alvoradas
ou fantasmas loucos
de roxas madrugadas.
Transidas de escuros medos
de solidões
de lutas
de finitas paixões
e de segredos...
as fadas chegam,
do lembrar:

"...Nada é eterno teu...
só esse luto!...
O futuro perdeste-o no passado
Lá, no caminho sagrado
passou-te ao lado e
morreu..."

Escutas;
De longes e ocultas fundas grutas...
que há em ti
desabitadas
veladas vêm discretas
as vozes secretas
das boas fadas do antigo lar:

"...Não esse luto!...
Lá, nessa glória inteira da lembrança
do teu paraíso longínquo de criança,
é teu o absoluto..."

Maria Virgínia Santos Teles Guerra Monteiro nasceu em Espinho a 25 de maio de 1931

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2018-05-22

Prazer - Lúcia Serra

Tanto
se
nutriu
de
ostras!
especializou-se
pescador
de
pérolas!

Lúcia Serra nasceu em 22 de maio de 1955, em Lavras, Minas Gerais, Brasil.

Da mesma autoria ler no Nothingandall: semeadura

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2018-05-17

CANÇÃO PUNITIVA - José Emílio-Nelson



Atarda-me o olhar naquela escarpa
(Distância intranquila de sombra
Ou penas de pássaros acamadas?)
Pena de mim mesmo enquanto lembro
No pálido ar, homem obscuro,
A sua imagem, inacessível.
Desconheço o azul de mulher tão lívida.
O coração é uma pequenina pedra rosa.
As minhas lágrimas são de metal.

(in Polifemo e Outros Poemas)

José Emílio de Oliveira Marmelo e Silva, que usa o pseudónimo de José Emílio-Nélson, nasceu em Espinho, em 17 de maio de 1948.

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2018-04-05

ILUSÕES QUE EU AMEI... - Augusto Lima

Ilusões que eu amei ao despontar da vida,
bonançosa esperança, esmeraldino mar,
em que vogou meu berço à viração querida
de suspiros de amor; ó aves de meu lar,
jardins que alimentou a carícia materna;
flores que desfolhei, cantando e rindo à luz
de aurora fulgurante e que eu julgava eterna!

Um momento deixai vossos nimbos azuis,
onde, há muito, dormis, e vinde, em revoadas,
robustecer-me a crença, encher-me o coração,
deslumbrar-me na luz de vossas alvoradas
e povoar, enfim, a minha solidão.
Multiplique-se em vós minha, alma a cada passo,
como a cor no cristal prismático do espaço,
e aura em vossa memória o intrépido vigor,
para sempre me achar, valente lutador,
da vida social na porfiada liça,
ao lado do dever e ao lado da justiça.

Vós sois o meu passado e sois o meu porvir,
ensinando-me o Bem e dando-me a sentir
a eterna aspiração, que o ontem nunca perde;
porque é a própria Esperança o grande pendão verde,
atrás do qual desfila o exército vital
das almas à conquista augusta do Ideal.

Extraído de
Poesias / de Augusto de Lima. – Rio de Janeiro : ABL, 2008.
282 p. : retr. ; 21 cm. – (Coleção Afrânio Peixoto ; nº. 82

Antônio Augusto de Lima (n. Nova Lima, então Congonhas de Sabará, Minas Gerais, Brasil, a 5 de abril de 1859; m. Rio de Janeiro, 22 de abril de 1934)

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2018-04-03

O SONO - Bueno de Rivera

Inútil fechar com violência as portas. Virá o sono.
A mão impassível cerrará as pálpebras,
Então murcharás como um fruto imprestável.
O abandono cruzará os teus braços no peito,
Os dedos acenderão as velas.
Virá o grande sono, chumbará teus pés.

Quando o sino da manhã chamar, não existirá mais.
Na bruma se apagarão os telefones,
Os recados aflitos, as horas marcadas, os negócios.
O relógio do escritório se diluirá no mundo longínquo dos vivos.
O sono pousará na tua fronte
E acenderá um sonho novo no teu profundo esquecimento.


in O Mundo Submerso

Odorico Bueno de Rivera Filho, mais conhecido por Bueno de Rivera (nasceu a 3 de abril de 1911 em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais — m. 25 de junho de 1982, Belo Horizonte)

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